41 ocorrências em 64 horas

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Enquanto a Metrobus, estatal que opera a linha do Eixo Anhanguera, não cumpre a decisão judicial para contratar uma empresa de segurança para operar ao longo do trajeto, os índices de roubos e furtos na linha de ônibus parecem ter aumentado. Como consequência, a máxima de que todo dia dezenas de ocorrências são registradas pelas pessoas que utilizam o transporte coletivo tem se confirmado.

A reportagem do POPULAR apurou o número de boletins de ocorrências registrados de terça-feira até às 16 horas de ontem nos sete Distritos Policiais (DP) que cobrem o Eixo Anhanguera em Goiânia. No 11º DP, porém, não foi possível acessar o sistema para levantar mais dados, pois a unidade não contava com um delegado durante esses dias e o escrivão estava de atestado médico. Também não foram repassadas as informações solicitadas ao 9º DP.

Mesmo assim, em 64 horas, 41 roubos e furtos foram computados. Ou seja, praticamente um assalto a cada uma hora e meia. A média, portanto, tem se mostrado superior à do ano passado, já que até o final de outubro, como reportado pelo POPULAR com exclusividade, um crime era praticado a cada duas horas e meia no Eixão. A Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) não repassou os dados atualizados pedidos. A merendeira Eliane Canedo, de 47 anos, integra o índice de criminalidade. Ela utiliza todos os dias o Eixão para trabalhar e conta que já foi assaltada. “O medo é muito grande.”

A equipe de fotografia do POPULAR flagrou nos últimos dias a ação de um homem em uma tentativa de furto em uma das plataformas da linha. Num primeiro momento ele observa a movimentação. Em seguida, quando as pessoas começam a embarcar no ônibus, o homem tenta em meio à multidão abrir a bolsa de uma mulher. É possível observar nas imagens que ele utiliza as duas mãos para abrir a bolsa e tentar pegar algum item. Como todos entraram no veículo não foi possível saber se o furto foi consumado.

Técnica

Algumas pessoas tentam criar maneiras de se esquivar dos assaltantes. “Ando só com o necessário e sempre protejo a bolsa, que vem na minha frente, mas se vier alguém eu entrego tudo. No último vagão, eles vêm com a faca e roubam, por isso evito”, destaca a estudante Thais Santiago, de 18 anos.

A insegurança assombra até mesmo quem trabalha na fiscalização dentro das plataformas. Uma das fiscais, que não quis se identificar, relata que já presenciou vários assaltos, e mesmo com a Guarda Civil Metropolitana (GCM), que tem passado diariamente no local, os furtos continuam. “É muita insegurança. Nem trago mais o celular para o trabalho.”

O prazo para que a Metrobus se regularizasse expirou no dia 31 de dezembro. A estatal que utiliza o trecho deveria ter contratado uma empresa de vigilância patrimonial para operar com contingente físico e sistemas de câmera nas plataformas e no interior dos veículos do Eixo Anhanguera.

Em nota, a Metrobus disse que estará “provendo melhor segurança aos usuários através da disponibilização de vigilância e câmeras de segurança, o que será realizado de forma gradativa a partir da próxima semana”, diz. “Não conseguimos antecipar a data de disponibilização dos vigilantes, haja vista a complexidade dos processos legais, burocráticos e comerciais. O acordo com o Consórcio RMTC já foi realizado”, complementa.

Enquanto a contratação não sai, a empresa ressalta que firmou uma parceria com GCM no início de dezembro. Ainda em nota, a Metrobus apresentou o balanço do apoio da GCM. “Segundo a corporação, até o dia 15 de janeiro foram realizadas 450 abordagens, 15 conduções a delegacia e 22 presos. Além disso, muitas armas brancas como facas, por exemplo, foram apreendidas.”

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